Eficiência energética é cuidar de nós e da natureza

08/14/2019

Você sabia que a energia elétrica só passou a ser usada pelos seres humanos há cerca de 200 anos? Pois é. Dois séculos atrás (o que em termos de História é muito pouco), nossos antepassados viviam de uma maneira muito diferente. Hoje, por ser tão mais comum e banalizada, muitas vezes nós consumimos a energia elétrica de forma arbitrária, o que é problemático e potencialmente destrutivo.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia, entre 2015 e 2017 o país gastou cerca de R$ 61,7 bilhões ao deixar de economizar 143,6 milhões de gigawatt-hora de energia elétrica. Essa energia poderia abastecer uma cidade de 533 mil habitantes durante um mês e representa 1,4 vez a produção da usina de Itaipu Binacional, a maior hidrelétrica brasileira, durante o ano inteiro de 2017. Além disso, em 2018, o Conselho Americano para uma Economia Energeticamente Eficiente analisou as políticas e o desempenho dos 25 países que mais consomem energia em todo o mundo de acordo com os tópicos esforços nacionais, edificações, indústria e transporte. O Brasil ficou na 20º posição da lista, mostrando o tamanho do nosso desperdício energético.

 

Mas quais são as consequências disso? Uma delas envolve a disponibilidade de recursos naturais do nosso planeta. Veja só: no dia 29 de julho, a humanidade atingiu o Dia da Sobrecarga da Terra – momento em que a demanda anual por recursos naturais ultrapassa a capacidade do planeta de renovar estes recursos naquele ano. O esgotamento chegou mais cedo do que em todos os anos desde 1970, quando o índice começou a ser medido. Em outras palavras: estamos tirando mais dos recursos naturais do que eles conseguem ser repostos ou gerados pela natureza, deixando a Terra no “vermelho”. O Brasil, como um dos países mais ricos em recursos naturais, é um dos grandes responsáveis e também um dos mais prejudicados por esse “crédito negativo” planetário.

É só pensar na crise hídrica enfrentada pelo estado de São Paulo entre 2014 e 2016. Naqueles anos, o estado enfrentou sua pior seca desde 1969, o que levou a uma baixa na reposição natural nos sistemas que abastecem a região. Dois dos principais motivos para isso foram o desmatamento e o aumento exacerbado do consumo de água, que não conseguia ser suprido pela quantidade de água disponível. Na época, um sistema de racionamento foi imposto pelo governo na maioria das casas, principalmente na região da Grande São Paulo.

Mas como isso se relaciona com a energia? É como se fosse um efeito dominó! A seca afetou também as hidrelétricas e, como você já deve saber, mais de 60% da energia elétrica utilizada no Brasil vem delas. Quando as usinas hidrelétricas não conseguem suprir a demanda de energia porque seus reservatórios não têm água suficiente armazenada, as usinas termelétricas precisam ser acionadas. Isso não acontece apenas em situações emergenciais como o caso de 2014 e 2015, mas também quando a população consome mais energia do que o normal. Nas usinas termelétricas são utilizados combustíveis fosseis e recursos que demoram milênios para serem repostos.

 

Para saber mais sobre as formas de geração de energia olhe a Atividade 3 do Gerador e do Difusor.

Além de prejudicar (e muito) o meio ambiente, a necessidade do uso das termelétricas impacta as contas de energia que recebemos em casa – quanto mais desperdiçamos, mais alta vem a conta, e esse valor aumenta ainda mais quando parte da energia é gerada em termelétricas.

Caso queira entender mais sobre como é feito o cálculo que determina o valor a ser pago na conta, leia a Atividade 7 do Gerador e do Difusor.

Para deixar clara a importância da gestão dos recursos hídricos e de energia, em 2015 as operadoras de energia elétrica de todo o Brasil (com exceção de Sergipe) adotaram o sistema de bandeiras, que aparece em todas as contas de luz:

• A BANDEIRA VERDE indica que os reservatórios das hidrelétricas estão cheios, a previsão de chuvas está normal e somente esse tipo de usina está sendo utilizado para gerar energia.
• A BANDEIRA AMARELA indica que a previsão é que a quantidade de chuvas diminua, algumas termelétricas provavelmente serão ativadas e o ideal é diminuir o consumo de energia e água.
• A BANDEIRA VERMELHA indica risco de ainda menos chuvas e até estiagem, portanto grande parte da energia virá das termelétricas. Nesse caso o uso de energia e água em casa tem que ser muito mais controlado e eficiente.

Mas quais são as melhores formas de ajudar o meio ambiente e, ao mesmo tempo, economizar na conta de luz? A resposta está na eficiência energética. Mas esse assunto fica para uma próxima! 😉

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